DIA DO ESTUDANTE É COMEMORADO COMO ENCERRAMENTO DO MÊS DE AGOSTO NA ESCOLA ZENÓBIO TOSCANO

Nesta quarta-feira, 30 de agosto, os estudantes da Escola Estadual de Ensino Médio Zenóbio Toscano participaram de atividades recreativas, em comemoração ao Dia do Estudante. A festa, que é celebrada no dia 11 de agosto, foi prorrogada para finalizar o mês em ritmo de festa.  

Em cumprimento à programação, a Gestora Flaviana Santos fez a abertura, saudando todos os alunos com a expressão de alegria por compartilhar momentos significativos de aprendizagens, pelo protagonismo dos estudantes, pelo pertencimento dos estudantes à comunidade escolar. Na sequência, ocorreram os jogos de interclasse; a entrada de cada time de estudantes, com as bandeiras: do Brasil, da Paraíba e da Escola, foi registrada com muitos aplausos e, após disposição na quadra, entoou-se o Hino Nacional, ilustrando o evento com o fortalecimento do civismo e da construção dos vínculos históricos dos estudantes na instituição.

Cinco equipes disputaram o título de destaque “Equipe do Ano”. De forma recreativa, os alunos vivenciaram a positividade do esporte, no tocante aos valores fundamentais na vida humana: respeito, educação, cordialidade, disciplina, cortesia, sobretudo, liderança e trabalho em equipe – um dos pilares da política escolar, por fomentar o debate, ensejar a inclusão e oportunizar o conhecimento de diferentes visões de mundo.

No turno tarde, o time feminino que alcançou o título foi o 2º E, que jogou contra o 1º E. Em entrevista, a estudante Jaquicilene, que jogou pelo 1º E, disse que embora não estivesse preparada, já que no dia anterior não se sentiu muito bem, não deixou de participar da partida, pois havia prometido à equipe que participaria do jogo. E acrescentou: “Eu pensei em sair quando estava jogando, mas tinha que continuar porque jogar é sobre saber ganhar e saber perder”. Já a equipe masculina campeã foi o 3º C, o qual disputou a final com o 2º F, ganhando de 1 X 0.

Registraram-se as presenças dos professores Fernando Camilo e Neto Fragas, os técnicos esportistas da escola, como também dos professores Gilmar, Elimary, Nildo, Genes, Belísia, Janaína, Alessandra, Rubens, Luan, Bete Cleide, Mady, Paula, Suely, Lourdinha e Cinicleuma.

Terminadas as disputas, os estudantes receberam as medalhas de honra ao mérito e, posteriormente, foram prestigiados com uma belíssima mesa posta, contendo alimentos nutritivos e deliciosos, incluindo frutas diversas, bolos, sucos, iogurtes, biscoitos etc. tudo organizado com muito carinho pela equipe de merenda escolar, Deisiane e Jefferson, com a delicadeza da Professora Elimary Matias e a presteza da gestora escolar.

No turno noite, os estudantes se divertiram com Jogo da memória e o bingo, que encerraram a divertida programação em homenagem àqueles que motivam o fazer educativo e representam a esperança do amanhã.

O desejo da Escola Zenóbio Toscano é de que todas as lutas diárias enfrentadas no ofício do estudante sejam recompensadas com a premiação de uma vida profissional próspera e de realização de sonhos almejados no presente. A seguir, alguns registros deste dia importante.

RELATO DE EXPERIÊNCIA

Por Elimary Matias Rodrigues

Como professora de Língua Portuguesa, na Escola Estadual de Ensino Médio John Kennedy (Zenóbio Toscano), em Guarabira, no intuito de diversificar as atividades e, mais ainda, objetivando distanciar um pouco o olhar dos discentes do celular, propus uma pesquisa em sala, com a utilização de uma revista. Escolhi a Cidade Nova, por conhecer a qualidade dos artigos que a compõem, pois além de oferecer excelentes temas, estes são abordados por profissionais sérios e comprometidos com o que fazem.

Após a aceitação dos alunos, distribuí vários exemplares e pedi que a realização da atividade fosse feita em dupla, para confrontar ideias e, no final, cada dupla socializar com a turma o assunto escolhido e mencionar os pontos mais importantes colhidos na pesquisa.

O resultado foi muito proveitoso! E mesmo aqueles que têm mais dificuldades, conseguiram superá-las para cumprir a sua tarefa, o que me deixou imensamente feliz!

“Trata-se de uma editora que abrange inúmeros temas: a psicologia, machismo,  desmatamento, espiritualidade, tudo da atualidade até históricos, análise de cada fato, olhar sobre o “mundo”, nos proporciona reflexões, ajuda no que precisar, por isso acredito que seja uma revista ótima, excelente e até às vezes essencial nosso dia a dia, nos oferece também produtos e serviços com conteúdos que visam nos fortalecer como seres humanos, sem dúvidas eu ficaria horas lendo cada detalhe, pois a revista Cidade Nova chama minha atenção em diversos aspectos” (Maria Eduarda Pacífico- 1° Ano C).

“O Sistema Prisional – A revista Cidade Nova aborda as rebeliões em presídios brasileiros mostrando a insuficiência do Sistema Prisional e a incapacidade do Estado em combater o crime organizado. Essas rebeliões chamam a nossa atenção para o fato de o Brasil ocupar o 15° lugar de violência no ranking mundial, tornando-se o palco de um décimo de todos os homicídios que acontecem no mundo. Os apenados ocupam o dobro das vagas disponíveis e 40% deles nem foram julgados. Tem também os que já cumpriram pena e permanecem presos. E ainda os que têm mandado de prisão e ainda não foram capturados” (Gabriel da Silva- 1° ano).

“Colocar Deus no centro da vida – O tema escolhido nos faz lembrar que hoje em dia muita gente só procura Deus quando está necessitando de algo. Nos momentos de felicidade, tudo dando certo, a gente esquece de Deus. Mas quando voltamos a ter momentos difíceis, num instante O procuramos. Aconteceu comigo. Estava doente e pedi para melhorar. Fiquei bem e logo o esqueci. Mas depois conversando com meus pais, voltei a me comunicar com Deus. Temos que buscá-lo em todos os momentos. A presença Dele é muito significante para nós” (Carlos Alberto -1° ano A).

“Sustentabilidade – Escolhi este tema da revista, porque uma vez que os oceanos são extremamente importantes para a vida no planeta Terra, cabe a cada um de nós, por diversos fatores, não degradá-los. Podemos ajudar a protegê-los, fazendo escolhas conscientes tanto no que diz respeito ao nosso consumo, como no descarte dos resíduos. Seguem algumas dicas necessárias: reduzir o consumo de plásticos; escolher produtos que sejam feitos de materiais reciclados ou renováveis; reciclar sempre que possível; não jogar lixo nas praias. Faça a sua parte. Eu comecei a fazer a minha” (Paulo Germano- 1° ano – A).

“Faz Ode ao jornalismo a partir do olhar de uma criança” (Emanuel Bonfim). O texto que escolhi é obviamente uma crítica. Partindo de um livro e indo para uma série. O autor elogia a série e faz um pequeno resumo a respeito. Também cita de onde saiu a ideia para o livro, que inclusive é baseado em fatos reais. A série tem o nome de Home Before Dark, criada por Nana Fox e Dara Resnik, em 2021. Essa série fala sobre uma criança que começa a investigar um crime, após o sumiço de seu melhor amigo, Fife” (Vinícius Severino- 1°ano C).

“A revista aborda diversos temas importantes para a sociedade, com páginas que nos fazem refletir sobre a violência doméstica contra a mulher, tanto física, como psicológica, sexual, patrimonial e moral. Nós vivemos em um mundo machista e precisamos lutar pelos nossos direitos, e para isso foi criada a lei Maria da Penha, que a revista traz uma página que conta a história de como a lei surgiu e tudo que há por trás dela. É de significativa importância combater a violência contra a mulher no Brasil. Eu particularmente adorei o conteúdo que a revista trouxe, e acho muito importante este tipo de matéria, pois ajuda-nos como mulher a não aceitar esse tipo de violência porque ser mulher é ser livre. E vamos quebrar o tabu do machismo” (Josivânia- 1° ano C).

“Eu achei interessante a turma poder escolher um tema da revista e falar sobre ele com as nossas palavras. Meu tema foi sobre o Meio Ambiente, e com ele eu entendi que as pessoas não cuidam do meio ambiente porque acham que não precisamos dele, que não somos afetados quando sujamos/maltratamos a natureza. Porém, quando não cuidamos do nosso meio onde vivemos, estamos prejudicando tanto a natureza quanto as pessoas” (Laís Vitória- 1° ano A).

“A revista traz vários temas para o nosso conhecimento e serve para bastantes coisas que podemos aprender e seguir ampliando a nossa capacidade sem ao menos esperar. Qualquer pessoa tem a oportunidade na vida, então não deixe de ler a revista Cidade Nova, com isso, você vai adquirir novos conhecimentos. No entanto, eu foquei em um tema que tinha na revista sobre o meio ambiente: a poluição de rios. Os rios são muito importantes, pois geram águas úteis ao nosso consumo, cuidar da higiene pessoal, etc. A água potável proveniente de rios vem sendo ameaçada pela poluição, saiba agora como é porque isso vem ocorrendo: Os esgotos domésticos e industriais chegam aos rios sem tratamento algum, a ausência de um tratamento prévio e o despejo indevido só pioram e além de vários outros motivos” (Roberta- 1° ano A).

“A revista Cidade Nova, página 40, refere-se ao aniversário de “Dez anos do WhatsApp“. O texto aborda “vários assuntos”, num dos quais, de forma um tanto quanto indireta sobre o sucesso do WhatsApp. Falava o motivo do sucesso do WhatsApp e até mesmo a verdade do WhatsApp ( no penúltimo ou último parágrafo da revista) tinha falando que o WhatsApp foi comprado pelo Facebook. Eu gostei bastante do tema, por ser um assunto de tecnologia (QUE EU AMO). E também vi esse fato curioso que eu não sabia que era a compra feita pelo Facebook do aplicativo Whatsapp. Enfim, eu e Maryana (minha dupla) gostamos muito” (Erinaldo Miguel- 1° ano A).

“Eu achei uma revista muito interessante, que expõe muitos temas importantes e que deixam as pessoas com curiosidade ao ponto de querer estudar sobre. Quando estudamos, adquirimos novos conhecimentos. Daí nasce a vontade de querer espalhar a revista para nossos colegas para que eles também tenham essa experiência de aprendizagem” (Josielly- 1° ano- B).

ESTUDANTES DA ESCOLA ZENÓBIO TOSCANO PARTICIPAM DE PROJETO AVALIATIVO, INSTITUÍDO PELA SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO DA PARAÍBA

Nos dias 16 e 17 de agosto, os estudantes do 3º Ano A, B, C, D, do Ensino Médio, da EEEM Zenóbio Toscano participaram de um projeto avaliativo (nas áreas de Língua Portuguesa e Matemática), o qual integra o Sistema de Avaliação da Educação Básica da Paraíba (SIAVE), instituído pela Secretaria de Estado da Educação da Paraíba (SEE-PB). Através da iniciativa, será possível a aplicação de políticas públicas estaduais voltadas para a melhoria do processo de ensino-aprendizagem.

Em publicação no site oficial do Governo da Paraíba, a secretária executiva de Gestão Pedagógica da SEE-PB, Elizabete Araújo, esclareceu que tal iniciativa é uma ferramenta estratégica: “A Avaliação Diagnóstica Formativa, em andamento entre 15 e 18 de agosto, nos permitirá entender a atual situação do processo de aprendizagem de nossos estudantes e organizar as escolas com base nesse diagnóstico”. Sabendo-se que as escolas brasileiras estão em preparação para o Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), a iniciativa também antecipa uma análise quantitativa dos índices de aprendizagem dos estudantes em âmbito local.

Desde o início do ano letivo, a escola vem inovando para atender às demandas de 2023. Os projetos Jornalismo, Letramento Digital e Midiático; Eletivas das Profissões; Literatura de Cordel; Paraíba, Minha Terra Meu Lugar; Eletiva De olho no Futuro, Filosofia Ancestral – Memórias e Saberes, por exemplo, são iniciativas dos professores que, junto à comunidade escolar, planejam ações, enfrentam desafios, reavaliam as práticas, continuamente, através dos dados obtidos em suas atividades avaliativas

À medida que a sociedade se desenvolve, exige do sistema educacional o acompanhamento dos avanços e necessidades, por isso a EEEM Zenóbio Toscano, enquanto instituição política, valoriza  a iniciativa de monitoramento da Secretaria de Educação da Paraíba, que visa a investimentos na área educacional; a participação e persistência de seus alunos, que investem num futuro promissor e as ações de toda a comunidade escolar que convergem, especialmente, para um objetivo comum: Educação de Qualidade.

OPINIÃO: OS PERIGOS DAS FAKE NEWS NA ERA DA INFORMAÇÃO

Por: Joabson Douglas, 3º A

Em 2014, no Guarujá, a dona de casa Fabiane Maria foi morta a pauladas por moradores da cidade, sendo vítima de fake news. Consequentemente, este caso demonstra os perigos da propagação de falsas notícias, visto que são um desafio enorme para o combate dessa problemática. A partir desse contexto, convém discutir a falta de senso crítico populacional e inoperância dos órgãos públicos.

Em primeiro plano, destaca-se a falta de senso crítico da população ao receber as notícias, sem garantir a devida veracidade na propagação das informações. Nessa perspectiva, pode-se destacar a obra literária Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago, segundo a qual a sociedade, estando acometida por uma “cegueira moral”, posterga a necessidade de averiguar as fontes das notícias que são veiculadas nos meios de comunicação, contribuindo para a perpetuação do dilema nas relações sociais. Desse modo, percebe-se o quanto a população é facilmente moldada e manipulada a favor de quem a informa. Por consequência, cria-se um grande desafio para o combate às pseudonotícias, com as quais a população é facilmente enganada.

Sob uma segunda análise, é perceptível a inoperância dos órgãos públicos de fiscalização em relação às fake news. Acerca dessa lógica, é de suma importância destacar a Teoria dos micropoderes, de Michel Foucault, ao abordar que a sociedade é regida por micropoder, o qual disciplina e molda a conduta dos indivíduos de acordo com seus interesses. Nesse contexto, o Estado, sendo um poder social e exercendo um papel inoperante no combate às falsas notícias , facilita a persistência dessa problemática. Dessa forma, haverá impunidade por parte de quem propaga.

Diante disso, para sanar a problemática das notícias falsas na sociedade brasileira, é preciso de medidas de segurança e de cumprimento da lei. Logo o Ministério Público, junto à Polícia Federal, devem efetuar operações contra os causadores das fake news, por meio de averiguações e constatações das informações veiculadas, visto que é a forma mais eficaz de combater.

AO MEU GRANDE PAI

In memoriam

No topo daquela montanha, vivia um sábio de calça comprida e camisa azul de mangas longas. A face era o equilíbrio do homem rijo e terno, o corpo resistia ao ofício do tempo. E o tempo preparava-o, filho de Deus.

Na infância contida, colocaram-lhe, na mão direita, um lápis e um caderno e, na esquerda, um balaio de feira. Sem o equilíbrio necessário, lançou o conteúdo de uma na outra e carregou o balaio nas feiras com as duas mãos, abastecendo-o com uma vida de sonhos para depois.

No meio de uma estrada íngreme, pousou o balaio no chão, juntou barro, areia e concreto. Tornou-se mestre de obras – semeador de abrigos, escolas e edifícios. Sonhou formar sua família e casou-se com uma grande mulher. O amor do matrimônio presenteou-lhes com filhos, espinhos e flores. O grande sábio acarinhava os filhos com a aspereza na pele de suas mãos, ensinando, desde cedo, que a vida é “calejada e grossa”. Edificou-os também com a ternura do seu olhar e a beleza do seu sorriso.

De sol a sol, mudou de vida. Agora em vez de trabalho no meio do caminho, buscava transportar trabalhadores por diversos lugares espalhados na colina – virou taxista. Nas astúcias do destino das vias enladeiradas, pediu aos filhos que juntassem as mãozinhas, ainda crianças, e entregou-lhes, satisfeito, lápis e caderno, dizendo com voz magistral: “Façam deste presente, vossos destinos”. E eles entenderam a missão!

Nas idas e vindas dos filhos, nas vindas e idas de pai, subiu os degraus da idade, chegou ao cume da montanha, com mansidão e humildade, foi diplomado Grande Pai – venceu na vida o sábio de calça comprida e camisa azul de mangas longas.

Hoje aquele sábio recebe da tinta do meu lápis, nas páginas da minha história, minha admiração de filha.

Feliz dia dos Pais, meu amado pai!

MACHADO DE ASSIS INSPIRA ESTUDANTES DO 2º ANO EM RODAS DE LEITURA

Mariana da Silva Mendonça apresenta Ideias de Canário, de Machado de Assis.

Memórias Póstumas de Brás Cubas; A causa secreta; O alienista; Uma águia sem asas; Ideias de Canário; Helena; A vida eterna; A igreja do Diabo; O enfermeiro; Adão e Eva são alguns dos títulos, do renomado escritor Machado de Assis, selecionados pelos alunos, do 2º Ano do Ensino Médio, para leitura, análise literária e apresentação em sala de aula.

Já dizia Millôr Fernandes – humorista, dramaturgo, escritor, tradutor, e jornalista brasileiro – numa de suas frases mais famosas: “Em ciência, leia sempre os livros mais novos. Em literatura, os mais velhos”.   Partindo desta consideração, é importante observar que Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839, no Rio de Janeiro, e faleceu em 29 de setembro de 1908, na mesma cidade; é considerado um dos maiores nomes da literatura brasileira e um dos principais escritores da Língua Portuguesa; ter nascido numa família humilde não o impediu de ser um leitor voraz desde muito jovem e tornar-se autodidata em diversos assuntos; seu talento para a escrita tornou-o jornalista, poeta, contista, cronista, dramaturgo, crítico literário e romancista.

Júlia Rufino de Pontes e Maria Clara Cardoso Silva apresentam O enfermeiro, de Machado de Assis.

Os textos de Machado de Assis são ótimos pretextos para diálogos produtivos sobre a nossa gente, os nossos costumes, isto é, sobre elementos históricos, sociais e ideológicos, os quais permitirão aos leitores o desenvolvimento da capacidade crítica e de fruição da leitura.

Segundo Guimarães e Batista (Org.), 2012, a complexa natureza do texto literário resulta de intenções, operações linguísticas e produção de sentidos que coloca em jogo o uso da linguagem. Neste sentido, com as atividades de leitura literária sobre obras de Machado de Assis, os estudantes puderam fazer uso, reflexão e análise da língua por meio da pesquisa biográfica do autor, discussão com os colegas sobre as temáticas abordadas nas obras e sobre o diálogo entre o contexto histórico de dentro e de fora da ficção, bem como sobre as percepções acerca do estilo de escrita de Machado de Assis.

Sobre a obra que inaugura o Realismo no Brasil, Memórias Póstumas de Brás Cubas, os alunos Valdemir Neto e Gabriel Oliveira analisam que o livro tem uma narrativa peculiar , uma vez que o protagonista já está morto no início da história e narra suas próprias memórias, a partir da perspectiva do além-túmulo; além disso, teria sido um homem rico, ocioso e cético, pertencente à elite da sociedade carioca e marcado por ironia, revelando defeitos e virtudes de forma irreverente.

Segundo a análise da estudante Natália Vieira Leite, o conto A igreja do Diabo narra um projeto baseado no fato de o Diabo sentir-se humilhado por Deus, na inveja em não ter o seu próprio templo. Isso consumia o antagonista, por esse motivo determinou-se a combater as religiões.

Na percepção de Ana Vitória Silva Francisco, o texto Adão e Eva conta que Dona Leonor recebe algumas pessoas próximas em casa e, diante da curiosa responsabilidade da perda do paraíso ser atribuída a Adão ou Eva, inicia-se uma discussão envolvente, que conduziu a leitora até o desfecho da história.

Podemos conferir, ainda, outros trabalhos também muito interessantes, realizados pelos estudantes Emmilly Amâncio, Emilly Alves, Júlia Kauany Soares, Klebson Gomes (2º A); Marcos Antônio, Jaciele de Oliveira, Vanielly Alves, Letícia Maria Leal, Marcela Pereira, Williany Mendes, Lívya F. Palhano (2º C); disponíveis nas imagens a seguir:

RELATO DE EXPERIÊNCIAS

Por: Professor Josinaldo Santos

O Projeto Filosofia Ancestral “Memórias e Saberes” vem contribuindo para a atualização e vivências de práticas cotidianas de nossos ancestrais e ainda de gerações. São conhecimentos que agregam afetividade, espiritualidade, filosofia de vida e laços que vão além da carne.

As memórias e os Saberes passados de geração em geração estão impregnados de cura, cuidado, rezas entre outros.

Neste campo dos “saberes” abordamos as curas vindas das plantas, um conhecimento secular, desde o povos Celtas, função agregada às mulheres que no período medieval foram chamadas de bruxas. Mas, os saberes sobre as manipulações das plantas permitiram curas de muitos males. Esta aula foi mediada pelo graduando da UEPB, Vinicius Guthyerris.

Ainda, na perspectiva da cura, foi abordado pelo professor Santthus, a temática do Benzimento “a cura pelo bendizer”. Na ocasião foi apresentado benzedeiras da comunidade do Pirpiri – Guarabira – PB, trabalho de pesquisa do referido professor (2008). As riquezas contidas nelas traz encanto e aprendizado aos envolvidos. Elas não são apenas “corpos velhos”, são sim “corpos velhos” que curam.

Na aula foi apresentado aos estudantes a ideia do dom como início de prática e tipos de benzimentos realizados, ou seja, os maléficos curados por elas.  Ao final, os alunos foram orientados a realizar pesquisa de campo sobre os saberes de hoje – “Plantas que curam e as benzedeiras da minha comunidade”. Aqui fica claro o convite a sentir-se parte, reconhecer sua ancestralidade, afinal, o futuro é ancestral.

FILOSOFIA UBUNTU FOMENTA DISCUSSÃO NAS SALAS DE AULA DO ENSINO MÉDIO

Hoje, a aula de Filosofia Ancestral ” Memórias e Saberes”, mediada pelo Professor Santtus, focou uma importante temática – Eu sou porque nós somos – filosofia Ubuntu. Esta filosofia africana trata da importância das relações de humanidade estabelecidas no meio social, onde as pessoas têm consciência de que são sensíveis aos problemas vividos por seus semelhantes. Com o objetivo de compartilhar a filosofia Ubuntu para a construção de um meio ambiente mais justo e solidário, os estudantes realizaram atividades, como a criação de Árvores de Prática Ubuntu e Mandala, destacando valores que se refletem nos discursos docentes e discentes no cotidiano escolar. Após as reflexões e trabalhos desenvolvidos, as salas de aula registraram essas experiências filosóficas significativas do ponto de vista ético, social e político. Vamos conferir?

CADÊ SOPHIA?

Estava caminhando pela rua, por volta das 12 horas, quando ares despretensiosos e improváveis sacudiam as bananeiras do Distrito de Roma. O retorno às aulas do segundo semestre, após um curto período de férias, batia intempestivamente num destino traçado por uma lacuna ininteligível. Seus pensamentos de menina sorridente, sonhadora e saltitante, com passinhos compassados e voltinhas nas mechas do cabelo embelezaram as últimas imagens registradas pelos espectros robôs de um cenário investigativo: onde está Sophia?

De um curto trajeto entre a rua onde morava e aquela onde foi vista, passou-se à obsessão por sua procura numa área de aproximadamente mil e quinhentos hectares. Sua presença se confundia com a nulidade de sua localização no espaço geográfico onde de fato deveria estar perante qualquer suspeita. Antes do cenário cinematográfico com cães farejadores, bombeiros civis e militares, policiais, helicópteros, repórteres, mobilização de moradores, ela só queria brincar. Que mal há em deixar uma criança viver a sua infância de maneira saudável num mundo que deveria ser só dela? Não há resignação nisto: o mal está à espreita da inocência, escondido à luz do entardecer, onde inesperadamente atrai para si a sua vítima, e ninguém sabe, ninguém viu, ninguém ouviu: cadê Sophia?

Nas primeiras semanas de seu desaparecimento, os noticiários incansáveis explodiam de audiência, a qual ditava os rumos das matérias; os telefonemas para as autoridades multiplicavam-se em pistas, palpites, enredos inescrupulosos, que confundiam as buscas e as linhas de investigação. Enquanto isso, uma casa desmoronava-se em desalento pela hora em que a menina Sophia deveria regressar, porém até agora ecoa pelos cantos uma voz materna desesperada: – Oh, meu Deus, cadê a minha menina?

“Está num povoado da zona rural”. Fake. “Está na casa do vizinho”! Não estava. “Pode ter entrado no açude”! Os mergulhadores não encontraram vestígios. “Pode estar ao fundo, vamos reduzir o volume de água”! Nada. “Foi vista entrando numa casa”. Não era ela. “E aquela pousada”? Que pousada? “Tem uma cova no quarto de uma casa abandonada em área de difícil acesso”. Era de uma “botija”. Ninguém sabe de Ana Sophia?  

À medida que o tempo passa, também dispersa as pessoas, os jornalistas, os cães, a atenção dos curiosos, e o vento desfaz o cenário, que vai voltando àquela impressão de normalidade, em que a esperteza de uma criança pode cair na cilada de um mundo que não foi projetado para ela. E neste momento, de que adiantou a invenção do helicóptero, as câmeras de monitoramento, a máquina de Alexander Graham Bell, se o homem ainda não foi capaz de solucionar a maldade que há dentro de si mesmo?  

Diante da incontornável ausência da criança, da falta que ela faz na sua casa-escola-comunidade, da ansiosa busca pelo desfecho dessa história, o que custa, àquele (a) que se acusa de dia e de noite e se alimenta do pão de sua própria transgressão, aliviar a tensão insuportável e libertar-se do peso da consciência, revelando onde está Sophia?

Observação: Este texto foi escrito no dia 30 de julho de 2023, como forma de expressar a preocupação com o caso da menina Ana Sophia, do Distrito de Roma, Bananeiras -PB. A conclusão oficial do inquérito se deu no dia 02 de maio de 2024. No quarto parágrafo deste texto, a hipótese levantada após análise de imagens de câmeras – “foi vista entrando numa casa”, num primeiro momento, foi refutada, porém, posteriormente, confirmada. Tiago Fontes Silva da Rocha matou Ana Sophia e ocultou seu corpo. Dois meses depois, cometeu suicídio por enforcamento. Este é o desfecho da investigação sobre o “caso Ana Sophia”, com a conclusão oficial do Inquérito Policial que investigou o crime.