Por: Arnaldy de Sousa Baracho; Felipe da Silva Luna; Marcos Antônio Gomes Araújo; Kaylane de Sousa Baracho; Bruno de Souza, 3º A
Nos últimos anos, temos assistido a um aumento de casos de bullying em todo o mundo. Este comportamento discriminatório gera graves consequências para as vítimas, afetando não apenas a sua saúde mental, mas também o seu desempenho escolar e social.
Para combater o bullying, é necessário um trabalho em conjunto, envolvendo escola, família, mídia e sociedade como um todo. É importante que seja criada uma cultura de respeito e tolerância desde cedo, para que as crianças cresçam sabendo a importância de tratar o outro como gentileza e empatia.
Nas escolas, é fundamental a criação de programas educacionais para a prevenção e combate ao bullying, com palestras, dinâmicas e atividades que estimulem a reflexão sobre o tema. Por sua vez, a mídia deve evitar glamorização da violência e do bullying, promovendo conteúdos que estimulam o diálogo, a diversidade e o respeito. O uso da internet também deve ser consciente e responsável, combatendo qualquer tipo de assédio ou intimidação virtual.
Em suma, a erradicação do bullying é um desafio que precisa ser enfrentado por todos nós em nossas casas, escolas e comunidades. É preciso educar, conscientizar, punir e, acima de tudo, promover o diálogo e empatia. Se todos nos esforçarmos por construir um ambiente saudável, podemos dar uma vida melhor a todos.
A obra Os miseráveis, de Victor Hugo, retrata a injustiça social da França, do século XIX. Fora da ficção, no Brasil do século XXI, percebe-se um contexto semelhante ao da trama: a injustiça impera no que tange à saúde mental nas escolas do Brasil, criando um problema por má formação familiar e insuficiência da legislação.
Convém ressaltar, a princípio, que a má formação familiar é um fator determinante para a persistência do problema. De acordo com o sociólogo Talcott Parson, a família é uma máquina que produz personalidades humanas. Por essa ótica, a problemática da saúde mental nas escolas do Brasil apresenta-se como um pensamento passado de geração em geração o que dificulta seu extermínio por forças externas, já que o problema encontra-se dentro das casas das pessoas brasileiras e estende-se por uma longa linha do tempo.
Em segunda análise, segundo Umberto Eco, “para ser tolerante é preciso fixar os limites do intolerável”. Nesse sentido, percebe-se uma lacuna explicitada pela falta de uma legislação adequada. Assim, sem base legal, ações de remediação são impossibilitadas, o que acaba por agravar ainda mais a questão da saúde mental nas escolas do Brasil.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Então, o Governo Federal com o Ministério da saúde podem realizar, através das redes sociais, eventos dos quais todos tenham acesso. Outro aspecto relevante seria consultar nas escolas e casas. Por fim, é preciso que a comunidade brasileira olhe para o problemática com mais empatia pois como escreveu o poeta Leminski: “em mim eu vejo o outro”.
Por: Regivaldo da Costa Souza, 3º A
O livro O demônio do meio-dia faz uma completa análise sobre patologias metais e se consagrou como um dos melhores do segundo milênio. Andrew Solomon, o escritor, acusa como os problemas mentais afetam as nossas populações mais humildes. Dessa forma, é de suma importância a intervenção governamental nas escolas, que tanto são negligenciadas por esse meio e no social por excesso de ignorância acerca de psicoses.
Em primeiro lugar, os indigentes com oportunidade estudo básico, por muitas vezes, só comparecem à escola unicamente pensando em merenda e não a estudar. Dessa forma, os estudantes, sem visão do futuro e atrelados a uma saúde metal precária, acabam por desistir e embarcam na vida trabalhista ainda adolescentes.
Em segunda análise, a ignorância sobre patologias mentais, em relação a essa classe social, acarreta em uma associação a sua pobreza e, por serem pobres, estão constantemente tristes. Assim, por falta de diagnóstico ficam continuamente amargurados e, em alguns casos ocorre isolação, deixando seus estudos incompletos.
Diante disso, a falta de conscientização sobre patologias assola as massas pobres e normalizam tais problemas, que interferem diretamente nas escolas públicas. Por fim, projetos levando profissionais do meio psicológico a essas instituições, esclarecendo com campanhas governamentais, podem contribuir para que a qualidade de vida aumente e os afetados voltem a estudar.
Por: Ana Kamilly Félix da Silva, 1º D
Através do filme As vantagens de ser invisível, podemos perceber que diversos adolescentes, por não conseguirem lidar com problemas sociais, acabam desenvolvendo depressão, e muitas vezes, acontece quando eles dão entrada no ensino médio. Através desse cenário, podemos deduzir que estamos vivendo uma fase em que a saúde mental dos adolescentes se encontra em um estado deplorável. Então, este é um assunto sociologicamente mundial e de grande prioridade para as esferas educacionais.
Em primeiro lugar, é evidente que há vários problemas relacionados ao tema saúde mental nas esferas educacionais de todo o mundo. E, como já vimos antes, a depressão se encontra como um dos principais problemas relacionados a esse tema. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), a depressão e a ansiedade aumentaram mais de 25% apenas no primeiro ano de pandemia de COVID-19. Com esse aumento, podemos deduzir que o sistema educacional necessita tomar uma medida urgente antes que a situação piore e venha se tornar um caso ainda mais crítico.
Conclui-se que a minimização desse problema só será possível estabelecendo a contratação de profissionais da área de Psicologia para ensinar os adolescentes sobre formas de como lidar com a vida social dentro e fora das escolas, desenvolvendo assim cidadãos com capacidade de tomar suas próprias escolhas.
Por: Gabriel Fernandes Rocha, 1 D
A preocupação com a saúde mental é uma questão cada vez mais presente na sociedade, especialmente quando se trata do ambiente escolar. A escola é um local onde os alunos passam grande parte do seu dia e é onde eles desenvolvem habilidades e conhecimentos essenciais para a vida. Portanto, é de extrema importância que a saúde mental dos estudantes seja uma preocupação constante das escolas públicas.
Historicamente, o assunto da saúde mental foi negligenciado e até mesmo estigmatizado. Por muito tempo, a doença mental foi vista como um sinal de fraqueza ou um estigma, o que levou à exclusão e discriminação dos afetados. No entanto, a partir do século XX, houve uma mudança na forma como a sociedade enxergava a saúde mental, com um aumento da conscientização sobre a importância de cuidar da mente tanto quanto do corpo.
No contexto atual das escolas públicas, os alunos estão expostos a diversos fatores que podem afetar sua saúde mental como a pressão por bons resultados acadêmicos, o bullying e a falta de apoio emocional. Muitos estudantes também vêm de ambientes familiares instáveis e enfrentam problemas pessoais que afetam diretamente seu desempenho escolar. A fim de lidar com essas questões, é fundamental que as escolas públicas implementem políticas efetivas de promoção da saúde mental. isso pode inibir a contratação de psicólogos e assistentes sociais, a oferta de aulas de educação emocional e a criação de espaços seguros para os estudantes compartilharem seus problemas e sentimentos.
No entanto, a realidade das escolas públicas é bastante diferente do que se idealiza. Muitas carecem de recursos financeiros e estruturais para lidar com a questão da saúde mental dos estudantes. Além disso, há uma grande desinformação e falta de treinamento dos professores em relação ao tema, o que torna a implementação de políticas mais difícil. De acordo com o psicólogo e pesquisador Jorge Forbes, “a saúde mental está diretamente relacionada à capacidade do indivíduo em lidar com suas emoções e estabelecer relações sociais saudáveis”. Portanto, é necessário que haja uma mudança de mentalidade por parte das autoridades e gestores das escolas públicas, para que a saúde mental dos alunos seja uma prioridade real.
Em suma, a questão da saúde mental nas escolas públicas é um problema complexo e urgente, que exige uma análise crítica das políticas educacionais e ações concretas por parte das autoridades competentes. É fundamental que se busquem formas efetivas de lidar com a questão da saúde mental dos estudantes, a fim de garantir que eles tenham um ambiente escolar saudável e acolhedor.
O documentário O Dilema das Redes, situado na plataforma Netflix, mostra os perigosos impactos da tecnologia na humanidade. No contexto atual, as redes sociais estão no topo quando se fala em fake news, que, de forma manipuladora, conseguem levar o receptor a acreditar nas suas “belíssimas” fontes noticiosas, cujas aparências mascaram as falsas informações. Diante deste cenário, é evidente que, não só a mídia, mas também a falha educacional contribuem com o revés.
Em primeiro lugar, é imperioso destacar a influência da mídia na problemática. A esse respeito, o jornalista brasileiro Caco Barcelo cita: “a culpa não é de quem não sabe é de quem não informa”. Por um viés analítico, o pensamento do jornalista está associado à mídia, uma vez que sugere o seu papel de informar. Porém, como a mídia está voltada para o retorno financeiro, as notícias falsas se proliferam para ter mais engajamento, audiência. Dessa forma, torna-se visível que a manipulação midiática representa um preocupante empecilho para a superação das desinformações.
Além disso, é necessário salientar o descaso educacional como um agravador do impasse. De acordo com o filósofo Pitágoras, a educação é o melhor meio para as mudanças favoráveis da sociedade. Entretanto, tal pensamento não se conecta à lacuna educativa que não aborda o extra tecnologia digital aos seus discentes, assim facilitando o golpe da desinformação.
Por fim, é preciso combater as fake news. Para tanto, é dever do CONAR (Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária) realizar fiscalização avançada com intuito de diminuir as notícias falsas. Do mesmo modo, cabe à escola implementar palestras sobre o eixo tecnológico, a fim de lecionar seus estudantes sobre a integração digital. Feito isto, será possível combater as falsas notícias no Brasil.
Por: Igor dos Santos Bezerra, 3º B
Theodor Adorno, filósofo contemporâneo da Escola de Frankfurt, acreditava que os meios de comunicação são usados pela mídia como forma de exercer controle sobre a população e torná-la alienada. Nesse contexto, as fake news apresentam-se como forte instrumento de manipulação, sendo a internet um dos principais meios para disseminá-las. Assim sendo, é necessário que haja um maior desenvolvimento crítico dos cidadãos contra a alienação da sociedade.
Primeiramente, nota-se que a falta de pensamento crítico dos indivíduos é um dos fatores mais relevantes para que sejam facilmente influenciados por referências falsas e as espalhem, criando assim uma leva de desinformações. Citando caso análogo, na pandemia de COVID-19, houve um grande número de “especialistas”, nas redes sociais, divulgando informações de teor duvidoso sobre a vacinação, o que causou um aumento do cálculo de mortes. Portanto, é notável a consequência da carência analítica.
Em segunda análise, é evidente que o mundo midiático detém um poder difusível e persuasivo sobre o seu público consumidor. A título de exemplo, contemporaneamente, a influenciadora digital Virgínia Fonseca lançou sua nova linha de cosméticos a um custo relativamente elevado. Entretanto, bastantes pessoas a compraram sem sequer questionar. Isso ocorreu em razão do status da influencer, fazendo com que seus seguidores fossem induzidos a obter o produto impensadamente. Logo, demonstra-se como uma comunidade pode tornar-se alienada e parar de pensar por si mesmos.
Diante disso, é preciso que as escolas, que são instituições responsáveis por estimular esse pensamento crítico, implementem projetos pedagógicos que visem ao aprimoramento do senso lógico. Esses planejamentos didáticos podem incluir atividades interpretativas, analíticas e reflexivas como debates entre os discentes, relatórios de leitura e resenhas críticas, com o propósito de criar cidadãos questionadores aptos a contestar as notícias diárias.
Por: Janissa Santos, 3º C
Um adolescente divulgou fake news de massacre em escolas de Minas Gerais em rede social. Referindo-se a tal contexto, as informações não verídicas, por parte de pessoas mal intencionadas na web, tem sido um transtorno na sociedade atualmente. Com efeito, hão de ser analisadas as causas que corroboram para esse grave cenário: a desinformação e a ausência de segurança no espaço virtual.
Em primeiro lugar, cabe ressaltar que informações sobre as precauções quanto ao uso de rede virtual têm sido precárias para o corpo social. Sob essa ótica, na época de grande estigma aos negros em 1863, nos Estados Unidos, as penosas brutalidades aos escravos negros do sul eram tidas como propagandas falsas aos nortistas brancos, após a divulgação do fato “Peter Chicoteado”, que viralizou por meio de cartões de notas. Tal contexto histórico, atrela-se à cautela de transferir informações com base comprovada em fatos.
Ademais, a segurança no espaço virtual, especificamente em redes sociais, padece de notícias inautênticas. Nesse sentido, no dia 24 de abril de 2023, foi levantado, na Câmara dos Deputados, o projeto de lei das fake news cujo objetivo é suspender quaisquer disseminações de dados enganosos. Com a falta de concretização de tal legislação, os perigos das fake news continuarão sendo um obstáculo no uso da internet.
Portanto, o Ministério da Educação deve desenvolver palestras com o objetivo de conscientizar primariamente os jovens que tendem a estar inseridos nas redes. E, por parte da Legislação Brasileira, deve-se idealizar leis eficazes que sejam de suma prontidão. Com tais medidas, o que ocorreu em Minas Gerais que foi dissipado como fake news por um adolescente não será mais uma realidade presente na sociedade brasileira.
Por: Reberson da S. Jerônimo,3º C
Uma notícia divulgada sem ter a certeza de que está devidamente certa pode espalhar para as outras pessoas uma conversa errada. Isso não é bom, pois pode gerar diversas polêmicas e acabar a reputação de alguém que seja pessoa famosa ou não. As fake news são divulgadas por aparelhos de comunicação como se fossem informações reais, acerca de vários temas como esportes, doenças, mundo dos famosos, sobre o governo, entre outros.
Muitas vezes, pessoas que não sabem diferenciar não buscam de onde vieram essas informações e acabam publicando nas suas redes sociais sem ter a total certeza sobre o assunto que está divulgando. A expressão fake news tem sido substituída por uma palavra que tem o mesmo significado: desinformação.
Nesta época, estamos lidando seriamente com esta complicação que também prejudicou bastante no tempo da pandemia, quando as pessoas acreditavam em tudo que os sites publicavam e divulgavam sem ter a certeza.
Para acabar com as notícias falsas, é preciso analisar se a informação é verdadeira, também se pode pesquisar em outros sites para tirar dúvidas, se correspondem corretamente. Feito isto, postar para as pessoas verem e assim espalhar corretamente a notícia. Essa é a melhor forma.
Jéssica Silva Xavier, 3 º C
No contexto atual, sabemos que as fake news estão sempre presentes tanto no mundo virtual como no real. Deve-se ressaltar que, dependendo de quem compartilha as notícias falsas, muitas vezes, passa por verdade. Além disso, é de extrema necessidade que toda a população tenha em mente que deve ser verificado o portal ou site de notícias compartilhadas.
De fato, deve-se verificar mais o mau uso da tecnologia virtual, pois com tantos problemas que a humanidade tem que se preocupar, esse é mais um deles. Diante do exposto, é possível criar mais leis rigorosas para este público que utiliza a internet para fins de propagar notícias falsas, pois por muitas vezes deixam danos irreversíveis para quem está diretamente citado na notícia compartilhada.
Dessa forma, a notícia compartilhada precisa ser pesquisada em outros veículos de grande alcance de divulgação. E sempre desconfiar de certos tipos de títulos absurdos, pois essa é uma das melhores formas de distinguir uma notícia real da fake.
Uma das principais fontes das fake news, ou melhor dizendo, um dos focos mais usados são as celebridades, pois, geralmente, é um assunto que grande parte da população do mundo quer saber. Por falta de informações, corre-se grande risco de confundir uma notícia falsa com algo verdadeiro e vice-versa, além do grande perigo de compartilhar algo falso e ser preso.
Isakiel Victor dos Santos, 3º C
É de conhecimento geral que as fake news são notícias que podem virar um problema para aqueles que as veem, mas por que essas notícias falsas podem se espalhar tão rápido? Por quanto tempo elas podem durar? E quanto dano podem causar às pessoas?
De fato, as fake news podem nos causar danos. Como o caso de Fabiane Maria de Jesus, que, em 2014, foi uma das muitas vítimas das notícias falsas, e isso nos mostra que todos nós podemos nos tornar uma dessas vítimas. Por isso, antes de tirarmos conclusões ou fazermos algo a respeito, devemos nos informar sobre o ocorrido.
Dessa forma, podemos impedir que casos semelhantes ao de Fabiane Maria de Jesus se repita e podemos impedir que as fake news continuem espalhando-se e causando dano às pessoas.
A área de Ciências Humanas, Sociais e Aplicadas, através do Componente Curricular de Filosofia, sob mediação do Professor Santtus, realiza o lançamento da Revista Sankofa, como parte interventiva do Projeto Transdisciplinar Filosofia Ancestral – Memórias e Saberes. A partir de metodologias ativas, realizadas em sala de aula sobre o tema do projeto, os estudantes produzem textos que refletem suas referências identitárias e as formas de resistência cultural diante do contexto em que estão inseridos.
Conforme a pesquisadora Laura Nayane Albuquerque Diniz, do 2º A, “o conceito de Sankofa (Sanko = voltar; fa = buscar, trazer) origina-se de um provérbio tradicional entre os povos de língua acã da África Ocidental, em Gana, Togo e Costa do Marfim”. A estudante justificou a escolha do conceito para representar o título da revista, destacando o fato de o projeto evocar as ideias filosóficas e culturas dos povos ancestrais.
Os trabalhos de identidade ancestral partem, portanto, de estudos teóricos na área, de modo a contribuir com a construção de um retalho ancestral de cada estudante, dando sentido a questões sobre quem somos, bem como às conexões múltiplas que estabelecemos uns com os outros.
Logo, a revista surge como ferramenta de registro das evidências de aprendizagem da Filosofia Ancestral em sala de aula, mas também como espaço de resistência ao dar voz às diferentes vozes e identidades que compõem a teia sociocultural da EEEM Zenóbio Toscano.
A Eletiva Literatura de Cordel, ministrada pela Professora Elimary Matias Rodrigues, colhe os frutos de uma jornada semestral de estudos sobre a tradição literária da nossa região, ao desenvolver com seus estudantes a oralidade e construção de versos, por meio da linguagem popular. Novos escritores do gênero surgem, na Escola Estadual de Ensino Médio Zenóbio Toscano, e demonstram que o futuro será promissor.
De acordo com a Academia Brasileira de Literatura de Cordel, a evolução do cordel – folheto contendo poemas populares, expostos para a venda pendurados em cordas – no Brasil, não ocorreu de maneira harmoniosa. A oral, precursora da escrita, engatinhou penosamente em busca de forma estrutural. Hoje, é possível estimular a escrita do cordel em sala de aula, pensando nos elementos que o compõem: rimas, métrica, ritmo, versos, estrofes, ilustrações com xilogravuras – técnicas antigas de entalhar desenhos em relevo -, temáticas variadas e ainda com um estilo individual de cada autor, isto é, do cordelista.
Segundo a Professora Elimary, “nosso lema enfoca a valorização da “pessoa negra” que tanto tem sofrido com o preconceito racial”. Para isso, a docente desenvolveu etapas para o projeto da eletiva, a saber: motivação através de vídeos e/ou músicas sobre o tema; pesquisas via internet; palestras com artistas da área; criação de grupos de trabalho; estudos para aprofundamento do tema e estrutura do cordel; oficinas para a elaboração de versos e criação de folhetos; organização da culminância para a exposição dos trabalhos.
A etapa de culminância ocorrerá, em breve, com as publicações dos cordéis produzidos pelos estudantes. O gaZeTa news estudantil será um canal de suporte para a publicação desses textos por reconhecer a importância da Literatura de Cordel como patrimônio imaterial brasileiro, bem como seu papel fundamental na construção da identidade e da diversidade cultural do País.
“A prática da mente Zen é a mente de principiante. A inocência da primeira pergunta – o que sou eu? – é necessária em toda a prática Zen. A mente do principiante é vazia, livre dos hábitos do experiente, pronta para aceitar, para duvidar e aberta a todas as possibilidades. É um tipo de mente que pode ver as coisas como elas são, que passo a passo e num lampejo é capaz de perceber a natureza original de tudo.”
“Mente Zen, Mente de Principiante”, de Shunryu Suzuki, é uma síntese do Zen Budismo – uma tradição religiosa com princípios filosóficos próprios. Zen é a prática de realização da natureza de Buda. Isso significa dizer que é uma atitude de vida que perpassa todas as nossas ações.
O livro possui uma abordagem simples e didática, o que torna o processo de leitura fluido e prazeroso. Mesmo aqueles que não são familiarizados com o Budismo podem deleitar-se com as grandes reflexões nele contidas.
Diferentemente de outras tradições budistas, a tradição do Zen (ou Zazen) desvia-se de ideais místicos e fantasiosos, mostrando-nos que a “iluminação de Buda” nada mais é do que reconhecer e aperfeiçoar a sua própria natureza. Buda não estava interessado nos aspectos metafísicos da existência, e sim em seu próprio corpo e sua própria mente no aqui e agora. E quando encontrou a si mesmo, descobriu que tudo quanto existe tem natureza búdica. Essa foi sua iluminação.
Mente Zen, Mente de Principiante transmite a mensagem de que a verdadeira espiritualidade é percebida no dia-a-dia, nas nossas experiências pessoais, em nossos pensamentos e na maneira como nos comportamos. Quando nosso corpo e mente estão em ordem, tudo o mais está no seu devido lugar, de forma certa. Eis o segredo.
Nossa estudante, Vitória Maria Barbosa (2º C) sempre demonstrou entusiasmo pelas artes, de um modo geral, e vem revelando o aprimoramento de suas habilidades em cada obra que projeta numa simples folha de papel. Num encontro memorável, recebeu do artista plástico Elias dos Santos o reconhecimento de sua personalidade poética ao apresentar uma releitura da obra O Romance do Pavão Misterioso, de José Camelo de Melo Rezende. Vitória Maria já participou do Projeto Arte em Cena, na modalidade Literatura, promovido pela Secretaria de Estado de Educação da Paraíba.
O Romance do Pavão Misterioso é um cordel de autoria de José Camelo de Melo Rezende. A história tem como protagonista Evangelista, filho de um viúvo capitalista. Seu irmão, João Batista, decide viajar pelo mundo e, em troca, Evangelista, que decidiu ficar, pede ao mais velho que lhe traga um presente. Batista, quando chega à Grécia, fica sabendo de uma moça chamada Creuza, que vive isolada de todos em um quarto, filha única de um conde muito valente e rígido. João, ao tomar conhecimento sobre a vida da jovem, volta para a Turquia e conta a seu irmão mais novo a respeito da donzela, o qual muito se agrada dela e objetiva tirar a garota do confinamento e torná-la sua esposa. Em minha opinião, este cordel é uma verdadeira obra de arte, um romance que nos mostra que, motivados pelo amor, é possível fazer qualquer coisa. O que mais me impressionou foi a criatividade do autor, uma história magnífica e definitivamente inspiradora.
Sobre: O Romance do Pavão Misterioso, de José Camelo de Melo Rezende
Por: Vinícius Caetano (1º C)
O cordel do Pavão Misterioso é um dos mais importantes e famosos da literatura brasileira. Criado por José Camelo de Melo Rezende, apesar de haver quem diga que o cordel é de autoria de João Melchíades Ferreira da Silva. O cordel conta a história de um turco chamado Evangelista, que se apaixona por uma condessa grega, chamada Creuza, filha de um conde orgulhoso e cruel que a mantém presa. Para raptá-la, Evangelista conta com a ajuda de um inventor, Edmundo, que constrói um pavão mecânico capaz de voar. Evangelista consegue resgatá-la e foge com ela para a Turquia, enfrentando perigos e obstáculos pelo caminho. O cordel tem como tema, o amor que ultrapassa barreiras geográficas e sociais, com uma linguagem simples, mas também criativa e expressiva. O cordel também aborda questões como a opressão patriarcal, a liberdade feminina e a fé religiosa. O Romance do Pavão Misterioso é uma obra que encantou e ainda encanta pela originalidade e pela beleza da narrativa. Recomendo para todos que apreciam a Literatura Popular e a cultura nordestina. Foi também fonte de inspiração para outros autores e artistas que trouxeram o cordel para as mídias, se tornando até título de música.
Uma entrevista inédita com Elias dos Santos, artista plástico, poeta, instrumentista, Diretor da Galeria de Artes Antônio Sobreira, da cidade de Guarabira, foi realizada pelos estudantes da Escola Estadual de Ensino Médio Zenóbio Toscano. A conversa foi gravada em vídeo, no dia 19 de maio de 2023 e foi conduzida por Erinaldo Silva (1º A), Elivânia Silva (1º A), Paulo Germano (1º A), Vinícius Caetano (1º C) e Vitória Maria (2º C). Na entrevista, Elias falou sobre a exposição d’Os cem anos do Romance do Pavão Misterioso, expôs seu trabalho na Galeria de Artes e apresentou detalhes de sua trajetória artística.
O artista pernambucano, que vive em Guarabira (PB), emergiu nas artes, descobrindo o talento na pintura ainda criança. Ele contou que recebeu incentivo dos pais, embora ainda não soubesse, à época, as particularidades do cultivo às belas-artes, já que a cidade ainda não valorizava esse campo da atividade humana. Aos poucos, como autodidata, ampliou o seu repertório cultural, sendo inspirado por grandes nomes como Leonardo da Vince, Toulouse-Lautrec, Paul Gauguin, Van Gogh, e adquirindo qualidades imprescindíveis para a formação de sua individualidade artística, tais como a autenticidade e a força interior.
Erinaldo Silva – O que é o Pavão Misterioso?
Elias dos Santos – O Pavão Misterioso, para nós, é uma coisa inusitada, porque quando ele nasceu, em 1923, não foi um pássaro, e sim uma máquina. A história toda conta isso. Hoje, para nós, O Romance do Pavão Misterioso é um dos elementos culturais mais importantes do Brasil, uma literatura popular inspirada em As Mil e uma Noites. Então, essa é uma homenagem pelo centenário do Pavão da Literatura, de todas as personagens que foram ao Japão, à Grécia, à Turquia. Eles são o Pavão porque são Literatura, e, hoje, a literatura popular mais importante do país, porque virou obra de arte, virou música, virou homenagem no Carnaval.
Erinaldo Silva – Qual a importância do Pavão Misterioso para o Senhor?
Elias dos Santos – Para mim, tem muita importância, pois eu tenho 64 anos, mas quando eu tinha 12 anos, na frente da minha casa, na feira, meu pai comprava esses cordéis – a literatura do povo – e havia dois cantadores, Davi Nogueira e Sebastião da Silva. Eu vi esses artistas cantando “O Pavão Misterioso”: “Eu vou contar uma história/ De um Pavão Misterioso/ Que levantou voo na Grécia/ por um rapaz corajoso/ Raptando uma condessa/ Filha de um conde orgulhoso/”, e daí por diante. Então aquilo me chamou atenção, eu nem pensava em escrever, em fazer teatro, mas a partir dali eu pedi para o meu pai comprar um livrinho daqueles e tentei guardar aquele livrinho porque meu pai deu para mim. Independente de intelectualidade ou não, eu acho que não deveria haver a dicotomia Literatura erudita versus Literatura Popular, tudo deveria ser Literatura, tudo deveria ser arte, porque arte não é só gosto, arte é uma necessidade de você se adentrar em si mesmo, no mundo, e enxergar através do pensamento de muitas pessoas, isso também é importante.
ErinaldoSilva – Na sua opinião, por que o Pavão Misterioso merece um destaque internacional?
Elias dos Santos – Guarabira é o grande celeiro da Literatura de Cordel. Eu creio que devamos chamar a capital da Literatura de Cordel – Guarabira, porque por aqui passou muita gente. E um dos editores é daqui de Guarabira. O povo vinha de outras cidades para imprimir aqui, onde ainda tem as máquinas e, tendo essa literatura sido escrita em 1923, quando ninguém sabia o que era um helicóptero, José Camelo de Melo criou o Pavão, que, lá na literatura, diz ter um botão que aperta e ele sobe, não faz barulho. Ou seja, merece a criação, pois para mim, o artista não tem importância porque o trabalho dele é bonito, ele tem importância se esse trabalho servir à sua comunidade, ao seu povo, ao seu tempo. Uma coisa não é importante só porque é bonita, mas porque ela tem uma concepção capaz de você sentir algo. Quem nunca leu O Romance do Pavão Misterioso deveria ler, porque o Pavão não é o pássaro, o Pavão é aquela literatura que ele transformou num aeroplano, num avião que levantou voo lá na Grécia. É uma história de criação própria, que tem uma identidade cultural muito grande, então merece esse destaque.
ElivâniaSilva – Existe alguma disputa política entre Pilõezinhos e Guarabira pela divulgação d’O Romance do Pavão Misterioso?
Elias dos Santos – José Camelo de Melo Rezende tem essa controvérsia de que ele é daqui, de que foi de Pilõezinhos, no tempo em que esta era distrito de Guarabira. Então, o registro dele é guarabirense. Hoje, o Pavão pertence a Luzeiro, é quem edita as obras desses grandes poetas do cordel. Existe isso sim, mas eu acho que não deveria. Só de ele ser um paraibano, já nos basta, para mim, a grandeza de uma pessoa da nossa comunidade. Nós somos o Brasil, dividido em pedacinhos. Então, o nosso vizinho merece ser nosso amigo também. A mesma coisa é com Sapé em relação ao poeta Augusto dos Anjos, natural de Espírito Santo, que é importante para a Paraíba inteira. É o caso de José Camelo de Melo Rezende, é o “pilõezinhense de Guarabira”, pode chamar assim. Então eu acho que isso é uma disputa que não tem nada a ver. No país, quando você ainda não tem nenhuma representação, você pode estar onde estiver – “não é daqui não” – mas quando você tem, as pessoas parecem ter essa fantasia de que “Não, é daqui, é daqui”. Se ele é um brasileiro que tem esse potencial, a gente fica alegre.
ViníciusCaetano – Como o Senhor falou, “Arte não é só beleza”, eu concordo porque acredito que arte, basicamente, seja tudo o que ultrapassa a própria barreira do que foi criado para ser. Por exemplo, o Senhor disse que a obra O Romance do Pavão Misterioso ultrapassa a barreira do que foi criado para ser e se tornar algo maior, para ser arte. Uma obra precisa tocar a pessoa, não importa do jeito que seja. Quando eu estava pesquisando, encontrei muito pouca coisa sobre a Galeria, por exemplo, sobre o Pavão. No caso, eu achei esquisito, porque eu mesmo não sabia que existia essa galeria, eu vim saber recentemente através da professora. Ela falou sobre a referência do museu, e eu fiquei todo confuso quando fui pesquisar. Então, existe uma galeria de artes que eu não sabia. Como o Senhor faz para divulgar a exposição? Como fazemos para saber as divulgações da galeria?
Elias dos Santos – Eu sou o Diretor da Galeria. Para esse espaço ser divulgado, o Governo tem um programa pessoal, essa parte eles divulgam. Tudo isso aqui está na internet, toda a exposição está na internet. Agora, as escolas, os professores precisam se inteirar, principalmente os gestores, sobre os departamentos culturais da cidade para que passe isso para os alunos. Eu vou passar nas escolas para fazer o convite. Essa galeria está aqui desde 1986. Você é muito jovem, mas há pessoas aqui na cidade inteira que sabem que essa galeria existe e sabem do teatro também. Então, é preciso que façam um esforço. Nesta exposição, temos vinte artistas, todos de Guarabira, porque eu poderia dizer: “vou mesclar aqui artistas de outros lugares”, mas eu coloquei só daqui pela necessidade de incentivar, porque quando eu comecei a fazer arte, foi aqui em Guarabira, eu tinha a maior dificuldade do mundo. A minha apresentação em São Paulo foi muito difícil, era como se eu tivesse ido para Paris. Hoje não, hoje você vai para a internet para ver um material no Museu do Louvre. O pessoal da Escola Dom Marcelo, por exemplo, sabe que tem essa galeria, eu já expus um garoto de lá aqui. Existem pessoas que fazem trabalho e eu não sei por que nunca vêm à galeria, nunca aparecem. Então, é preciso que as escolas, os professores que trabalham no campo da arte se inteirarem, vir à cidade para procurar e ver o que tem realmente, porque Guarabira não é tão grande assim.
Vinícius Caetano – O Senhor acha que a Prefeitura deveria fazer um perfil da Galeria no Instagram para divulgar mais?
Elias dos Santos – A CODECOM é quem divulga. Tem uma página no site da Prefeitura, você acessa tudo isso aqui; tem uns vídeos da galeria, então entra no site que tem acesso à Galeria de Artes Antônio Sobreira. O que falta é isso. Quantas vezes a escola entrou no site da CODECOM? Então precisa também. É uma parte da prefeitura e está na internet. Tudo que fazemos aqui passa por lá.
ViníciusCaetano – Como o Senhor entrou no ramo da arte?
Elias dos Santos – Ah rapaz, a minha mãe era bailarina de balé clássico e o meu pai era um artesão que fazia sela para cavalo. As mãos do meu pai eram cheias de calo, e eu fazia isso com ele. Minha mãe fazia desenho também, e eu vejo que eu aprendi. Eu tenho muito livro de arte, é o que eu mais tenho. Eu tinha um encantamento por arte e, a partir dos 12 anos, eu já pintava. Agora eu vim pintar como artista visual, artista profissional a partir de 1980. Eu só vim vender um trabalho a partir 1990, não é fácil né, mas quem quer ser é. O importante é que o seu tamanho, quem diz isso é você. Você vai saber o seu tamanho quando alguém passar e disser: Poxa, valeu a pena né? Eu não faço arte porque quero ser famoso, eu faço porque sou artista. Eu não sou pintor, eu sou artista. Para ser pintor, é só ensinar tecnicamente, você fica pintando espetacular, agora a sua identidade como artista, só quem adquire isso é você. É como jogador de futebol: você vê um menininho jogando com uma bola pequenininha dentro da lama, para umas pessoas não vale nada, mas para as pessoas que compreendem e olham para ele reconhece “ele vai ter futuro”. Então é assim: eu quando olho para um trabalho de um garoto, eu sinto se ele realmente, a partir dali, tem condições de chegar mais distante, porque é uma coisa particular de cada um. Isso é uma identidade que você vai criando. Logo que eu comecei a fazer o que faço hoje, tinha gente que não gostava, mas o meu trabalho, mesmo se não estivesse assinado, você dizia “esse trabalho é do Professor Elias dos Santos”, porque ele tem uma identidade. Então é como a cultura, quando chegar alguém aqui de fora sabe que o que está acontecendo aqui é o São João porque é uma coisa cultural, é uma identidade cultural do nosso povo.
ViníciusCaetano – Muitos dos que estão vendo ou ouvindo a entrevista não sabem, o Senhor poderia explicar um pouco mais sobre a história da galeria?
Elias dos Santos – A galeria foi criada no primeiro governo de Zenóbio Toscano, que, para mim, foi um grande mecenas das artes de Guarabira. Existia antes e depois de Zenóbio Toscano. Zenóbio era um colecionador de artes que tinha mais artes, como coleção, na Paraíba. Quando ele se tornou Prefeito de Guarabira, ele teve essa sensibilidade de criar esse teatro que era um cinema, que a prefeitura adquiriu, criou o museu e o Centro de Documentação, e em seguida, ele criou o Casarão da Cultura, onde sediará a Exposição Internacional de Arte Naif, este ano. Então, a galeria foi criada também nesse tempo. Eu fui um dos primeiros diretores, e agora sou de novo. Quando Jáder Pimentel foi o Prefeito de Guarabira, eu fui um dos diretores daqui também. E a galeria já passou por muita exposição. Muitos artistas aqui, por exemplo, começaram num projeto que eu fiz chamado Arte em Outdoor – eram umas telas muito grandes que fazíamos na Festa da luz, eu fiz dezoito edições. Todos os artistas estão aqui, os mais antigos, eu, Carlos Damião, Afrânio… E tenho a felicidade de estar trazendo outras pessoas que estão aqui hoje. Por exemplo, você faz arte, então você vem à galeria para eu conhecer a sua obra. Mas, realmente, as pessoas que estão começando e têm interesse. Porque pintar não é difícil, tocar não é difícil, difícil é você se identificar. Eu sou instrumentista, eu toco violão clássico, quando eu toco as pessoas sentem que Elias existe, mesmo aquela partitura não sendo minha. Você pode fazer uma releitura de Guernica, de Picasso, e dentro da sua concepção, você faz um trabalho que não tem nada a ver com a obra dele, mas é o mesmo assunto, isso é identificação.
Vinícius Caetano – Como funciona a exposição? Como o Senhor organiza, chama os artistas, como funcionam as datas, tem um intervalo de tempo para as exposições?
Elias dos Santos – Essa exposição vai ficar até o fim do ano, porque a gente vai andar com ela pelo estado. Realmente é um evento que a gente faz para o Cordel do Pavão, para mostrar o seu tamanho enquanto literatura, uma literatura nossa. É necessário que cuidemos disso tudo, o ano do Pavão, como uma forma de gratificar o trabalho do artista. É o que a gente pode fazer por um grande nome da cidade. Existem pessoas que têm esquecido porque a sua própria cidade esqueceu, mas não pode ser assim. Devemos ser gratos a Vinícius, que chegou aqui, e a Vitória Maria, que tem uma concepção nova, à Professora Elciane que trouxe vocês pela concepção de chegar aqui e vir a conhecer. Isso é bacana! E daqui para frente, quem sabe, você pode ser um médico, mas pode ser um artista também. Isso é importante. Para aquilo que a gente quer, o espaço existe, a gente tem que ir buscar, porque nada é fácil, tem que saber onde está, tem que procurar.
Vitória Maria – Antes de o senhor emergir como artista, o que o senhor sentia ao desenhar e pintar?
Elias dos Santos – Na verdade, eu pensei em estudar, acho que eu tinha cinco anos. No meu tempo não era como agora, que a mãe bota o menino quase bebê na escola. E quando eu cheguei lá na minha escolinha, tão simples, tinha um quadro na parede cheio de animais, e eu desenhava aquela imagem. Aí a professora disse para meu pai: “Ele não vai conseguir aprender as letrinhas porque ele só quer desenhar isso aqui”. Meu pai comprou o papel, quase que a professora chorava porque meu pai deu cinco vezes o valor daquele papel, levou para casa, e isso foi um incentivo, porque meu pai apesar de ter sido um homem cultural, era um pouco ignorante para algumas coisas, mas ele disse “você vai desenhar aqui e vai estudar na escola. Então eu ia para escola e sabia que quando chegasse eu ia fazer aquilo. E com doze anos, eu comecei a pintar. Eu queria ser artista realmente. Eu não sabia o que era e como era porque a cidade não tinha nada disso, ninguém me influenciou aqui. Pedi a meu pai para ir comprando livros para mim, obras de Leonardo da Vince, Toulouse-Lautrec, Paul Gauguin, Van Gogh – este é um cara que me inspirou pela sua força interior! Por aí, eu comecei a conhecer e a visualizar, eu queria ser artista. E, a partir daí, eu comecei a pintar sozinho como autodidata. Meu pai comprou um monte de tinta de toda qualidade para mim, tinta de pintar porta… Eu fui aproveitando e quando eu fui tendo necessidade de conhecer outros materiais, eu comecei a ir para João Pessoa, sozinho, e conheci o ateliê de um grande nome paraibano, Mestre Alcides, e outros artistas lá. Ao mesmo tempo, eu conheci o artista paraibano Flávio Tavares, Miguel dos Santos, artista de Caruaru, e a partir disso, comecei a criar uma obra minha. Existe um roteiro meu dos anos 80, quando eu comecei como profissional até agora. Tenho meu ateliê, que fica perto do Victor Center Hotel, lá tem muito material: escultura e outras coisas. Infelizmente, eu sou mais reconhecido a partir de João Pessoa.
Vitória Maria Barbosa – O que o Senhor diria para os leitores do Gazeta News Estudantil sobre como descobrir um artista dentro de si?
Arte é poesia interior. “Que interesse pode ter a arte se não puder ser acessível a todos?” (William Morris). Todo mundo pode fazer arte, mas identificar-se como artista é algo pessoal. É como jogador, todo mundo joga bola, mas para pegar a bola e colocar no lugar certinho, é pessoal. O técnico diz faça assim, aí ele faz diferente, porque daquele jeito todo mundo faria. Quando ele faz diferente, ele consegue. Essa diferença é importante. Se você não tiver poesia interior, você não tem identidade. O que identifica você é a sua poesia. Quando eu falo de poesia, não é aquilo que você rima, aquilo que você fala, a poesia é complexidade, é uma coisa que parte de você. Ao olhar para o seu gato, ele está olhando para você e não diz nada, mas você fica encantado porque ele quer perguntar alguma coisa para você. Eu compreendo. Poesia para mim é isso. Antes de José Camelo de Melo Rezende escrever O Romance do Pavão Misterioso, ele havia escrito muitas coisas antes. Numa grande escavação de minas, você vai procurar um diamante, todos são iguais, mas um dia, de tanto cavar, você encontra um que é diferente. E é isso que fez a diferença na obra dele.
Vitória Maria Barbosa – Existem muitos artistas que são introduzidos na arte, mas não sentem a arte dentro de si porque seus potenciais não são explorados nas escolas, nas ruas. Então, o Senhor acha que seria necessário, por exemplo, um projeto para procurar esses artistas e encontrá-los?
Elias dos Santos – É como eu falei para você. O espaço existe. Eu sempre digo para meus alunos: existe um espaço para você. Quando Deus criou você, Ele deu tudo o que você precisa, sua capacidade interior de se desenvolver e se encontrar. Então aquele espaço existe, mas se você achar que só as pessoas devem procurá-lo para você, você nunca se encontra. Esse é o grande segredo, é você também procurar se encontrar dentro de si, que seu espaço está ali. Não importa se é algo grande ou algo pequeno, o espaço que você tiver e trabalhar bem direitinho, vale a pena.