Velha Árvore

Oh, velha árvore, que todos os dias em ti descanso
Dos teus galhos, faço berço e imerso no sono profundo
Só tu deste ouvidos às meras letras desse sitibundo
E apenas do teu lado – todos os meus problemas desenrascanço.

Incontáveis foram as quedas que levei do teu rústico balanço
Das histórias que contaram nas tuas raízes, lembro-me cada segundo
Tu te mantiveste firme esse tempo todo nesse solo infecundo
E mesmo assim dos teus doces frutos eu me abasteço.

Ao alvorecer, ouço pássaros que alegremente nos teus galhos cantam
Ao meio dia, da tua sombra todos os animais festejam
Ao crepúsculo, o tenebroso canto do urutau assombra os moradores.

Podas são feitas todos os anos para que não tenhas expansão
Ouço teus gritos, não com ouvidos, mas com meu coração
Fique viva, velha amiga, pois te perder é um dos meus temores. 

Poema produzido pelo aluno Marcos Antônio Gomes Araújo, do 2º Ano do Ensino Médio, da EEEFM John Kennedy, durante o Projeto INTROSPECÇÃO POÉTICA DE AUGUSTO DOS ANJOS NOS EUS DO SÉC. XXI.

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