Elciane de Lima Paulino
Dona Maria, minha vizinha
Tinha muito a nos contar
Sobre a sua esperança
De um dia encontrar
Um rapaz bem apanhado
Ou um tanto educado
Para sempre namorar
Aos domingos não perdia
A escuta de um sermão
Uma palavra bendita
Que lhe desse em oração
A certeza da promessa
Pois assim não tinha pressa
De encher seu coração
Ia às festas com as amigas
Pra tentar se divertir
Os moços com quem dançava
A chamavam pra sair
Mas ela não aceitava
Porque pouco interessava
Onde eles queriam ir.
Ela tinha papo reto
“Comigo é pra casar
Essa história de xaveco
Paquerar ou só ficar
Para mim, é ilusão
Uma vã consolação
Eu quero é namorar”.
Quando era feriado
Não perdia uma praia
Um biquíni bem cavado
Coberto por uma saia
Um decote avantajado
Que ficava disfarçado
Numa tomara que caia
Ela tinha predicados
Era mesmo um mulherão
Que os rapazes comentavam
“Muita areia, caminhão!”
Faltava-lhes eficiência
Para quebrar a resistência
Com uma declaração.
Investiu alguns olhares
Num rapaz trabalhador
Era um homem enrolado
Enroscou-se com ardor
Logo se tornou passado
E um fruto desse passo
Tornou-se o seu amor.
Mas um filho tem destino
De crescer e de voar
E uma mulher bonita
Sozinha não quer ficar
Quer um homem do seu lado
Um rapaz bem educado
Para sempre namorar.
Um rapaz bem educado
Para ela era assim
“Tem de ser equilibrado
E charmoso para mim
Amoroso na pegada
E firme na sua palavra
Um companheiro sem fim”.
Pois não é que certo dia
Ela estava bem faceira
Sentada na sua calçada
Conversando besteira
De repente aproximou
Um jovem que lhe chamou
Pra viver a vida inteira
É com ele que ela vive
E são muito apaixonados
Ela diz que é feliz
Com o seu enamorado
Espelhe-se na confiança
Quem espera sempre alcança Um amor bem apanhado.